quinta-feira, 18 de outubro de 2012
Mais uma noite difícil, ontem não dormi, passei horas rolando na cama, pensando em como seria minha manhã, não consigo imaginar minha vida sem certas coisas. Embora minha vó sempre dizia: "O que não é oxigênio, você consegue viver sem", e desde pequena nunca concordei com essa frase, sempre usei a água para contrariar... Ah não, por falar em água, acabei me lembrando... Ele sempre me xingava por não beber água, e antes de dormir vinha com um copo pra mim, ou de manhã antes do café (que ele sempre buscava na Starbucks, e quente, com todo cuidado pra não esfriar no caminho até meu apartamento)... Enfim, essa manhã não tem café, e ainda estou deitada. Seu cheiro ainda está naquela camiseta branca esquecida á dias debaixo do travesseiro, foi o mais perto que consegui ir, depois que ele saiu dizendo que não voltaria mais, não sair daqui, continuei em choque e confesso que permaneço até agora, tirei o vestido de flores azuis (o que ele mais gosta) e joguei no chão, vesti a camiseta e dormi, ou melhor, tentei... Acordei depois de 20 minutos de sono, uma tortura, quase não sonhei, mas em questão de segundos, tive pequenos lances e relapsos de memórias com ele. Tentei me levantar, não consegui mover um dedo pra isso, apenas peguei o notebook que estava ao meu lado, sim, o notebook dormiu no lugar que foi dele durante 8 meses, e não é mais, graças ao meu ciume excessivo e possessivo. Escrever sobre meu término não é algo fácil, mas é o melhor a fazer no momento, pois não consigo expressar o que estou sentindo, nem se quer consigo chorar... Vou colocando aos poucos os pés no chão, primeiro o direito (sim, sou supersticiosa), e ando devagar até a cozinha, ainda tinha esperanças de encontrá-lo ali, me esperando com café em uma mão e uma rosa na outra, rosa vermelha, a que eu mais gosto, ele sabe disso; mas não, hoje não tem café, nem ele, nem rosa, nem abraços, e nem aquele beijo de tirar o fôlego que sempre vinha acompanhado de um "você acordou mais linda que sempre hoje". Isso dói, em tudo que eu olho, vejo o grande amor da minha vida, o mesmo que eu vi sair pela porta ontem a noite e não mexi um dedo pra impedir... O que eu sinto? É, vamos continuando a história,  ainda não sei o que está aqui dentro, a dor consegue tomar grande parte do meu coração, causando um aperto tão grande, que vou desfalecendo... Eu mesma fiz um café, não tão forte quanto aquele que vinha com mais amor que cafeína, exatamente porque, este não tinha amor, e sim, muita cafeína. Não estou forte, me debrucei na janela para ver o movimento da rua, é primavera, um tapete de flores cobre o asfalto, e me trás lembranças de um dia lindo como este, quando nos conhecemos, nesta mesma rua, e as primeiras palavras foram: "Você viu como a rua está linda?" "Sim, são as flores, e se eu pudesse daria todas á você!", e foi amor, paixão, e uma loucura, começou tão rápido e durou o suficiente pra me deixar inconsolável. Sai da janela, agora estou sentada no sofá, liguei a TV e estava passando nosso filme preferido, nós vimos no inverno, quando havia tanta neve na rua, que ficamos presos em casa; foi uma das melhores noites da minha vida, ele estava lindo com um jeans desbotado e camiseta branca (a mesma que estou usando agora)... Seu corpo me aquecia naquela noite fria, sua pele parecia um veludo me abraçando... E agora? Está quase anoitecendo, não parei de lembrar dele durante um segundo no dia, nossas fotos ainda estão na parede da sala, em cima do sofá ainda tem um urso de pelúcia escrito "Je t'aime" e meu coração, ainda o ama, e sempre vai amar. Mas agora eu deveria esperar, talvez ele volte, ou não... Alguém bate na porta, acho que é ele, com rosas vermelhas e pizza (estou com fome); não, com rosas vermelhas e comida chinesa (a nossa preferida); não, devem ser apenas rosas... Vou atender, antes que ele desista de dizer que me ama e vai embora... Espere... Pronto... Voltei... E sinto muito informar, não haviam rosas, nem pizza, nem comida chinesa... Havia ORGULHO, e muito, muito ferido, precisa ser cuidado, e quando o orgulho estiver bem, talvez ele volte, pra viver comigo, novamente, os melhores meses de nossas vidas...

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Mineira, 20 anos, escritora desde os 12, inconstante, imprevisível, cruzeirense apaixonada, esquecida e abandonada pelo amor, e talvez, cheia de sonhos. Como dizia o grande Renato Russo: "Nunca deixe que lhe digam que não vale á pena acreditar no sonho que se tem, ou que seus planos nunca vão dar certo, ou que você nunca vai ser alguém."
Documentos, fotos e textos por Anna Luíza HS. Tecnologia do Blogger.

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